O Presidente da República, Daniel Chapo, defendeu este sábado, 24 de Outubro, na cidade de Bahir Dar, na Etiópia, a união continental e a urgente reforma do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas para garantir a estabilidade e a paz em África. Durante a sua intervenção no 12.º Fórum de Tana, o Chefe do Estado moçambicano destacou que o reforço do multilateralismo é indispensável perante as crescentes disputas internacionais impulsionadas pela corrida aos recursos estratégicos do continente.
No painel dedicado à construção de modelos africanos para a paz e soberania, o governante alertou para as consequências da forte competição por minerais críticos, gás natural e petróleo num cenário de transição energética global. A consolidação de parcerias sólidas e a concertação de posições no bloco regional permanecem como prioridades absolutas. Siga nos no WHATSAPP.
Ao abordar o cenário geopolítico mundial, o Presidente frisou que a África possui das maiores reservas minerais do planeta e tem sido afectada pelas disputas de grandes potências globais. Para mitigar estes impactos, defendeu a atribuição de um assento permanente com direito de veto a África na ONU, sustentando que a ausência de representatividade dificulta a resolução efectiva dos desafios de segurança do continente.
Como caso prático de sucesso através da cooperação regional, Daniel Chapo destacou o combate ao terrorismo em Cabo Delgado. O Chefe do Estado ressaltou a actuação da missão militar da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SAMIM), as parcerias bilaterais com o Ruanda e a Tanzânia, além da contribuição decisiva das forças locais e das comunidades na protecção do território.
A sessão contou também com a intervenção do Primeiro-Ministro etíope, Abiy Ahmed, que defendeu o processamento local dos recursos minerais para a criação de valor e empregos no continente. O Fórum de Tana reuniu diversos líderes regionais para debater mecanismos de manutenção da paz, integração económica e fortalecimento da soberania africana.