Os accionistas do grupo mineiro multinacional South32 aprovaram a venda dos seus activos na cadeia de valor do alumínio à americana Alcoa Corporation por 5,6 mil milhões de dólares, mantendo contudo a fundição de Mozal, localizada nos arredores de Maputo, fora da transacção. A decisão surge num contexto em que a maior fábrica industrial do país permanece em regime de manutenção e paralisada desde o mês de Março devido à falta de consenso sobre as tarifas de energia eléctrica.
A operação de alienação dos activos mundiais foi formalmente aprovada em Assembleia Geral e tem a sua conclusão prevista para o primeiro semestre de 2027, dependendo do aval das entidades reguladoras. O reposicionamento do grupo visa focar-se em metais de base de alta margem, mas não altera o estado de inactividade que afecta a produção nacional. Siga nos no WHATSAPP.
A paralisação da unidade de alumínio ocorreu após negociações falhadas para a renovação do contrato de fornecimento de electricidade. A empresa operadora classificou como insustentável a proposta de 100 dólares por megawatt-hora apresentada pelos fornecedores, em contraste com o valor de 51 dólares considerado viável para viabilizar as operações. O encerramento temporário gerou perdas contabilísticas e custos excepcionais estimados em 122 milhões de dólares, acompanhados por uma queda de 30% na produção do último ano fiscal.
A estrutura accionista da fundição moçambicana é maioritariamente controlada pela South32, que detém 63,7% do capital, figurando a estatal sul-africana Industrial Development Corporation (IDC) com 32,48%, além da participação do Estado moçambicano e de minoritários. Paralelamente, a IDC iniciou um concurso público para contratar consultores independentes com o objectivo de avaliar a compra da posição maioritária na fábrica e analisar a viabilidade de retoma contínua do processamento industrial.