O governador de Cabo Delgado, Valige Tauabo, apelou formalmente ao regresso da classe empresarial à província — um processo acompanhado em detalhe através do canal de actualizações da Folha de Manica —, sustentando que as acções de defesa permitiram estabilizar vastas áreas, embora o risco associado a incursões armadas continue presente.
A posição foi manifestada à margem da Conferência sobre Adição de Valor com Base em Minerais e Recursos Energéticos Disponíveis, a decorrer na cidade de Nacala-Porto, província de Nampula. No encontro, o governante admitiu que nove anos de violência armada comprometeram o ritmo de desenvolvimento provincial e geraram cautela generalizada no sector produtivo.
Segundo a liderança provincial, a restauração da confiança entre empresários nacionais e estrangeiros é fundamental para alavancar novos investimentos e reconstruir o tecido social. Valige Tauabo assegurou que não existem distritos ou sedes administrativas sob ocupação de grupos armados, ainda que continuem a registar-se movimentos de elementos extremistas em zonas florestais e remotas.
O reforço das operações das Forças de Defesa e segurança, conjuntamente com forças internacionais aliadas, possibilitou a recuperação de infra-estruturas públicas essenciais e o retorno gradual de milhares de famílias. Contudo, as autoridades sublinham que a aparente acalmia em certos pontos não deve abrandar a vigilância comunitária.
Desde Outubro de 2017, a acção de células extremistas com vínculos internacionais causou mais de 6.600 vítimas mortais e obrigou à deslocação de mais de 1,2 milhão de cidadãos. Dados humanitários contabilizam cerca de 1,38 milhão de pessoas impactadas pela crise, incluindo 662 mil deslocados internos e mais de 720 mil cidadãos que regressaram às áreas de proveniência sob persistentes desafios de sobrevivência.