O Presidente da República, Daniel Chapo, relacionou o surgimento da insurgência na província de Cabo Delgado às grandes descobertas de gás natural ocorridas na região, defendendo o reforço urgente da cooperação entre as nações africanas para proteger as suas riquezas estratégicas. As declarações foram proferidas na cidade de Bahir Dar, na Etiópia, durante a sua intervenção no 12.º Fórum de Tana.
Durante um painel de alto nível centrado no debate sobre soberania e paz em tempos de rivalidade geopolítica, o Chefe de Estado moçambicano ressaltou que a emergência de ações violentas em 2017, escassamente um ano após a confirmação das reservas energéticas, reflete um padrão observado em vários países do continente ricos em recursos minerais. Siga nos no WHATSAPP.
Na sua alocução, Daniel Chapo sustentou que a crescente disputa internacional por petróleo e minérios estratégicos exige uma resposta coletiva dos países africanos. De acordo com o estadista, uma coordenação sólida é indispensável para salvaguardar os interesses soberanos das nações detentoras dessas riquezas e garantir que sirvam ao desenvolvimento local.
O governante defendeu igualmente reformas no Conselho de Segurança das Nações Unidas, reivindicando a inclusão de representação permanente com direito de veto para o continente africano, além do fortalecimento da União Africana e dos blocos regionais na prevenção e resolução de conflitos.
Ao abordar a situação de segurança no norte moçambicano, Chapo enalteceu a cooperação militar prestada pelas forças do Ruanda, da Tanzânia e da missão regional da SADC, destacando que as áreas anteriormente ocupadas pelos grupos armados estão livres, embora a estabilização completa ainda exija assistência humanitária às populações afetadas.