A província de Inhambane enfrenta um défice de financiamento estimado em 176 milhões de meticais para assegurar as acções de preparação e resposta à época chuvosa 2026–27. No cenário de risco mais gravoso delineado pelas autoridades locais, eventuais cheias, inundações e ciclones poderão afectar cerca de 228 904 pessoas.
Os dados foram apresentados esta quinta-feira, 15 de Outubro, pelo delegado provincial do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), Gilberto Miguel. O responsável explicou que foram estabelecidos dois cenários de actuação: o primeiro contempla cheias e inundações de menor magnitude, contudo com impacto nas comunidades vulneráveis; o segundo prevê cheias nas bacias hidrográficas e a ocorrência de ciclones, aumentando o número de pessoas em risco.
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A escassez de recursos financeiros condiciona o planeamento e a aplicação célere das medidas preventivas. Perante os riscos identificados, o governador de Inhambane, Francisco Pagula, defendeu intervenções antecipadas para salvaguardar os meios de subsistência das populações, instando à aposta na produção agrícola de ciclo curto para assegurar a disponibilidade de alimentos.
Por sua vez, a secretária de Estado na província, Arsénia Massingue, apelou ao envolvimento directo das lideranças comunitárias e secretários de bairros no trabalho de sensibilização e preparação dos cidadãos.
A província de Inhambane recupera ainda dos impactos das inundações de Janeiro e da passagem do ciclone tropical intenso Gezani em Fevereiro, evento que provocou quatro mortos, um ferido grave e destruiu 1253 casas. Na altura, foram também danificadas 67 escolas — totalizando 200 salas de aula —, oito unidades sanitárias e redes de abastecimento de água e energia. A nível nacional, a época chuvosa transacta (Outubro de 2025 a Abril de 2026) provocou 311 óbitos e afectou 1,07 milhão de pessoas, de acordo com dados oficiais.