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Estudo Revela Como Redes Sociais Foram Utilizadas na Mobilização Pós-Eleitoral em Moçambique

Uma investigação académica detalha as seis estratégias digitais aplicadas para transformar transmissões em directo e mensagens virtuais em manifestações de rua em Moçambique.
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Um novo trabalho académico do pesquisador Armando Nhantumbo analisa como o dirigente político Venâncio Mondlane utilizou as plataformas digitais para dinamizar a participação popular e desencadear manifestações em Moçambique, entre Outubro de 2024 e Janeiro de 2025, na sequência das disputas eleitorais no país.

A investigação detalha os métodos de engajamento virtual e os seus impactos directos na contestação pública do período pós-eleitoral. Siga-nos no WHATSAPP.

Intitulado “Mozambique’s politics in the digital age: Venâncio Mondlane and a framework for participation under authoritarianism”, o estudo elaborado por Armando Nhantumbo, doutorando na Universidade de Rhodes, na África do Sul, identifica seis pilares estratégicos de mobilização: enxurrada informativa, amplificação colectiva, retórica afectiva, encenação, criação de identidade de marca e diversificação táctica.

Segundo os dados recolhidos, a estratégia de enxurrada informativa baseou-se na realização de pelo menos 17 transmissões ao vivo na rede social Facebook entre 22 de Outubro de 2024 e 17 de Janeiro de 2025. Cada sessão teve uma duração média de uma hora, mantendo os protestos em constante evidência na agenda pública do país.

A mobilização digital permitiu que a página oficial do político atingisse um milhão de seguidores em meados de Novembro de 2024. Paralelamente, a sua conta na plataforma WhatsApp superou 160 mil inscritos no início de Dezembro do mesmo ano, ampliando o alcance das convocatórias.

A pesquisa destaca ainda que a retórica afectiva articulou as queixas sobre as eleições em Moçambique com preocupações socioeconómicas mais amplas, abrangendo funcionários públicos, trabalhadores informais e empresários. Adicionalmente, acções de encenação atribuíram nomes específicos às etapas da contestação, como “4×4”, “Turbo V8” e “Ponta de Lança”.

A diversificação de tácticas incluiu protestos sonoros como o bater de panelas, buzinaços, o bloqueio de vias públicas e o canto de hinos. Estas acções culminaram no condicionamento da Estrada Nacional Número 1 e na interrupção temporária do funcionamento do posto fronteiriço de Ressano Garcia.

A análise conclui que, apesar das restrições de acesso à internet registadas nos meses de Outubro e Novembro, o uso de redes privadas virtuais assegurou a continuidade da comunicação, oferecendo um modelo para a compreensão da participação política em contextos de elevada tensão social.

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Redação: admin

Jornalista e redator no portal Folha de Manica (folhademanica.com), cobrindo as principais atualidades de Moçambique e do mundo.

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