O economista e consultor Michael Sambo defendeu que a verdadeira autonomia económica de Moçambique exige que os empréstimos contraídos pelo Estado sejam canalizados estritamente para o aumento da capacidade produtiva nacional e não para o financiamento de despesas correntes.
A análise surge num momento em que o país procura reestruturar as suas políticas de desenvolvimento e otimizar a exploração de recursos naturais para transformar a riqueza em benefícios sociais directos. Siga nos no WHATSAPP.
Segundo o perito, a sustentabilidade da dívida pública fica profundamente comprometida quando o recurso ao financiamento interno se destina ao pagamento de salários ou encargos operacionais. Esta prática limita a capacidade de investimento e reduz a disponibilidade de crédito bancário para o sector privado local.
Relativamente aos megaprojectos de exploração de recursos, Sambo sublinhou a urgência de rever os incentivos fiscais e assegurar a efectiva retenção de riqueza no território moçambicano. A retenção deve manifestar-se através do desenvolvimento de fornecedores nacionais e da criação de empregos qualificados duradouros.
O consultor apontou ainda a industrialização integrada como o pilar decisivo para diversificar a economia nacional. O modelo proposto visa interligar a agricultura, a extracção mineira e o sector energético para fortalecer a base tributária e consolidar a soberania financeira do país.