As empresas moçambicanas foram exortadas a aprimorar a sua organização interna e regularização jurídica para aproveitarem as oportunidades geradas pelo sector extractivo no país, processo acompanhado pelo Folha de Manica durante a realização da II Conferência de Adição de Valor aos Recursos Minerais e Energéticos Disponíveis (CAVAME-d), na vila de Nacala.
A urgência de reestruturação do empresariado surge após a aprovação da Lei n.º 9/2026, promulgada a 3 de Junho do corrente ano, instrumento legal que estabelece a obrigatoriedade de preferência a cidadãos e entidades moçambicanas na contratação de serviços e aquisição de bens no sector industrial e de recursos.
Durante o evento, o representante da operadora Kenmare em Moçambique, Gareth Clifton, destacou avanços nas competências de segurança, ambiente e qualidade no projecto de Moma, mas apontou entraves como custos logísticos elevados, acesso limitado a divisas e reduzida capacidade de resposta aos concursos do sector mineiro.
Por seu turno, o representante do Conselho Empresarial Distrital de Nacala, Rukssat Moti, frisou que a desorganização e a falta de legalização de muitos empreendimentos locais comprometem o acesso aos benefícios económicos, resultando na perda de espaço para contratação externa devido à escassez de mão-de-obra qualificada.
A nova legislação sobre a valorização do conteúdo local assenta na preservação do interesse nacional, no incentivo a parcerias empresariais estratégicas e na transferência de competências tecnológicas, visando integrar de forma sustentável as firmas moçambicanas na cadeia de suprimentos da indústria.