O Banco de Moçambique (BdM) alertou que a paralisação das atividades da Mozal continua a impactar negativamente o desempenho da indústria transformadora nacional. Esta avaliação consta do mais recente Relatório de Conjuntura Económica e Perspectivas de Inflação, referente a setembro, que projeta uma recuperação económica moderada a curto prazo.
O documento do BdM indica que, apesar das perspectivas de recuperação, o setor secundário permanece “condicionado pela paralisação das atividades da Mozal”.
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A Mozal, uma das maiores fundições de alumínio de África, localizada nos arredores de Maputo, suspendeu a produção em março. A decisão ocorreu após a falha nas negociações sobre o fornecimento de eletricidade. A unidade, controlada pela australiana South32, entrou em regime de conservação e manutenção, alegando que as condições energéticas propostas eram insustentáveis. A empresa defendia uma tarifa próxima de 51 dólares por megawatt-hora, enquanto a proposta de fornecimento rondava os 100 dólares.
No exercício fiscal terminado em junho de 2026, a produção de alumínio atribuível à participação da South32 na Mozal registou 248 mil toneladas, uma redução de 30% em relação ao exercício anterior. As vendas diminuíram 22%, atingindo 275 mil toneladas. Entre abril e junho, o primeiro trimestre completo após a suspensão, a fundição não produziu alumínio, sendo as vendas asseguradas por inventários existentes.
A South32 estimou custos extraordinários de cerca de 104 milhões de euros devido à paralisação, incluindo indemnizações a trabalhadores e perdas contabilísticas relacionadas a matérias-primas e inventários. A empresa manifestou interesse em retomar a produção caso sejam asseguradas condições energéticas e económicas viáveis.
Em paralelo, a sul-africana Industrial Development Corporation (IDC), que detém 32,48% da Mozal, lançou em junho um concurso para contratar consultores independentes. O objetivo é avaliar uma eventual aquisição da participação maioritária da South32 e a viabilidade da retoma das operações da fundição.
Riscos para a recuperação económica
Apesar do impacto da Mozal, o BdM observa que a recuperação económica, excluindo os megaprojetos de gás natural, é impulsionada principalmente pelos setores primário e terciário.
O banco central identifica riscos como a inflação importada, a volatilidade dos mercados internacionais e a flutuação dos preços de bens essenciais. As tensões geopolíticas também são destacadas pelo potencial impacto nas cadeias de abastecimento, custos de transporte e preços das matérias-primas. Eventos climáticos extremos, incluindo fenómenos associados ao El Niño, representam outra ameaça à produção agrícola, aos preços dos alimentos e à atividade económica.
No âmbito das finanças públicas, o BdM aponta as necessidades de financiamento do Estado e a acumulação de pagamentos em atraso como fatores que podem afetar a liquidez do sistema financeiro, as condições de crédito e a confiança dos agentes económicos.


