A fiscalização do tráfego de mercadorias pesadas enfrenta um grave défice operacional em Moçambique, onde funcionam apenas 16 postos fixos de controlo de carga para monitorizar uma rede rodoviária classificada de mais de 30 mil quilómetros. Esta proporção crítica, equivalente a uma única báscula para cada 1.875 quilómetros de vias, compromete a durabilidade das rotas comerciais e intensifica os desafios na manutenção das faixas de rodagem destinadas ao transporte de recursos minerais.
A reduzida capacidade de fiscalização permite a circulação frequente de camiões com excesso de peso, desrespeitando o regulamento relativo a eixos e capacidade máxima estipulada para o sector de transporte rodoviário. Siga os desdobramentos desta e de outras matérias no nosso WHATSAPP.
De acordo com os Serviços Centrais e Projectos de Obras, a disparidade entre a extensão territorial e o número de básculas impede uma inspecção eficaz, acelerando o desgaste estrutural das principais estradas do país. A degradação precoce das plataformas tem motivado tensões entre o executivo e as operadoras de logística sobre a responsabilidade pela rápida deterioração do pavimento.
O impacto financeiro desta situação já se reflecte em encargos adicionais para o erário público antes mesmo da entrega final de novas empreitadas. Um caso recente na província da Zambézia exigiu a realização de intervenções corretivas numa rodovia recém-concluída, implicando um desembolso suplementar de aproximadamente 156 mil euros devido aos danos precoces causados pelo excesso de carga.