A economia nacional deverá registar um crescimento de 1,6% em 2027, superando a estimativa de 0,6% prevista para o ano anterior. As projecções integram a proposta do Plano Económico e Social e Orçamento do Estado (PESOE), que aponta igualmente para uma inflação média anual de 7% e um défice orçamental estimado em 4,6% do Produto Interno Bruto (PIB).
O documento, aprovado em Conselho de Ministros no passado dia 13 de Outubro e encaminhado para apreciação na Assembleia da República, consagra uma política orçamental focada na sustentabilidade das contas públicas, na contenção do endividamento interno e no reanimar gradual da actividade produtiva, na sequência do impacto das cheias de 2026, calculadas em 2% do PIB.
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Para dar resposta ao enquadramento macroeconómico em 2027, o Executivo prevê mobilizar recursos globais na ordem dos 7,1 mil milhões de euros. As receitas estatais deverão somar 5,9 mil milhões de euros (23,5% do PIB), enquanto as despesas e operações financeiras ascenderão a 7,1 mil milhões de euros (28,1% do PIB), fixando o défice em cerca de 1,2 mil milhões de euros. O financiamento público através de crédito interno será limitado a 1,9% do PIB, visando proteger o acesso ao crédito por parte do sector privado.
No âmbito do fomento económico, perspetiva-se a entrada em funcionamento do Banco de Desenvolvimento de Moçambique (BDM), vocacionado para apoiar projectos estruturantes em áreas estratégicas como energia, agricultura, indústria e turismo. Paralelamente, instrumentos como o Fundo de Desenvolvimento Económico Local (FDEL), com 20,8 milhões de euros, e o programa PRO-MULHER, munido de 6,9 milhões de euros, servirão para alavancar pequenos negócios e a produção local.
Na vertente agrícola, considerada basilar para a segurança alimentar, as metas estabelecidas incluem a produção de 17 600 toneladas de sementes certificadas, o acompanhamento técnico a mais de 1,48 milhão de produtores, a entrega de 155 mil conjuntos de insumos e equipamentos, além de 100 mil silos multiusos. Já no sector das pescas, prevê-se assistência a 8845 pescadores, capacitação de 2646 piscicultores, fornecimento de 170 embarcações motorizadas, 500 gaiolas flutuantes e o financiamento directo a 54 projectos do ramo.