O Governo moçambicano mantém uma dívida de um mês referente ao pagamento de compensações financeiras aos operadores de transporte semi-colectivo de passageiros na Região Metropolitana de Maputo. A verba em atraso diz respeito ao mês de Julho, inserida num pacote desenhado para amortecer os custos operacionais derivados do encarecimento acentuado no preço dos combustíveis.
O programa de apoio previa uma vigência inicial de três meses, contudo a execução orçamental estagnou ao fim de dois desembolsos devido à indisponibilidade de fundos estatais. De acordo com a administradora para a área técnica da Agência Metropolitana de Transportes (AMT), Iracema Mascarenhas, a medida tornou-se insustentável, cenário que abre espaço formal para uma correcção nas tarifas cobradas aos utentes. Siga nos no WHATSAPP.
A redefinição dos preços das passagens está a ser negociada com os operadores filiados na Federação Moçambicana das Associações dos Transportadores Rodoviários (Fematro). A estrutura directiva prevê que os novos valores entrem em vigor a qualquer momento, assim que for consolidado o consenso entre as partes.
Para travar abusos durante a transição tarifária, as autoridades avançam com um plano de fiscalização conjunto com a Polícia Municipal. As equipas operacionais vão penalizar a especulação nos preços e combater o crónico encurtamento de rotas, recorrendo a denúncias directas dos passageiros para autuar as irregularidades.
O porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, alertou recentemente que os conflitos no Médio Oriente e os entraves na rota do Estreito de Ormuz geraram pressões insustentáveis no mercado petrolífero. Desde a subida de Maio, em que o gasóleo aumentou 45,5% e a gasolina 12,1%, a Fematro tem insistido na inviabilidade económica do sector sem actualização das tarifas.