O Governo de Angola apresentou a proposta do Orçamento Geral do Estado para 2027, avaliada em 37,34 biliões de kwanzas (cerca de 36,4 mil milhões de euros), contudo, indicadores aparentemente positivos escondem uma posição fiscal altamente vulnerável às oscilações do mercado do petróleo. A dependência do país em relação às receitas petrolíferas e à dinâmica internacional de mercadorias mantém a economia exposta a choques externos.
A proposta orçamental regista um aumento de 3,99 mil milhões de euros em comparação com o exercício anterior e visa dar continuidade às metas do Plano de Desenvolvimento Nacional. As autoridades mantêm uma postura de prudência financeira perante um cenário global adverso. Siga nos no WHATSAPP.
De acordo com o Ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, a meta de crescimento económico para 2027 está fixada em aproximadamente 5,5%, impulsionada por uma expansão estimada de 7,1% no sector petrolífero. O Governo definiu como preço de referência 71 dólares norte-americanos por barril de crude, antecipando igualmente a trajectória descendente da inflação.
As necessidades brutas de financiamento para o ano de 2027 situam-se em cerca de 15,08 mil milhões de euros. No entanto, este montante poderá ser reduzido caso as cotações do petróleo no mercado internacional superem o valor de referência estabelecido na proposta governamental.
Apesar de o orçamento reflectir balizas conservadoras na projecção de receitas e despesas, análistas do sector financeiro indicam que tensões geopolíticas internacionais criaram um alívio temporário sobre a dívida soberana e as receitas de exportação. Eventuais acordos de paz ou mudanças na oferta global podem provocar uma queda abrupta no valor do crude, deteriorando rapidamente a sustentabilidade das contas públicas angolanas.