A Companhia do Pipeline Moçambique-Zimbabwe (CPMZ) está a realizar um investimento estratégico no projecto de expansão do oleoduto Beira-Feruka, visando aumentar a capacidade anual de transporte de combustíveis dos actuais três milhões para cinco milhões de metros cúbicos até Dezembro de 2027. A intervenção infra-estrutural responde à crescente procura por produtos petrolíferos na África Austral e visa consolidar o papel estratégico do Corredor da Beira na cadeia de abastecimento energético regional.
O plano de ampliação prevê a instalação de duas novas estações de bombagem, o que representará um acréscimo de aproximadamente 67% na capacidade de escoamento. O empreendimento é considerado determinante para reforçar a segurança de fornecimento a países interiores como Zimbabwe, Zâmbia, Malawi, Botswana e a província de Katanga, na República Democrática do Congo. Siga nos no WHATSAPP.
A confirmação do investimento surge na sequência dos trabalhos do Fórum do Corredor da Beira 2026, realizado a 27 de Outubro em Livingstone, na Zâmbia. O evento reuniu quadros governamentais, organismos reguladores, financiadores e operadores do sector energético para alinhar investimentos em infra-estruturas e promover a diversificação das rotas de distribuição de combustíveis.
Durante os debates, o director-geral da CPMZ, Patrick Dias da Cunha, sublinhou a relevância da cooperação entre os governos de Moçambique e do Zimbabwe no desenvolvimento desta rota logística. O gestor realçou que o fortalecimento da infra-estrutura permitirá posicionar Harare como um centro redistribuidor de combustível para os países vizinhos, assegurando retornos económicos directos para as nações dependentes do sistema.
Estudos apresentados no fórum pela S&P Global Energy indicam que a procura por combustíveis na zona de influência do corredor poderá crescer cerca de 35% na próxima década, o que corresponde a um volume adicional de quatro milhões de metros cúbicos. O vice-presidente da consultora, Daniel Evans, sustentou que o continente africano continua a ser a única região mundial com projecções de crescimento contínuo do consumo energético em todos os cenários analisados.
Por seu turno, o Secretário de Estado no Ministério dos Transportes e Logística de Moçambique, Chinguane Mabote, defendeu a necessidade de transformar as recomendações do fórum em acções concretas, destacando que o aumento do pipeline deve ser acompanhado por melhorias operacionais na cidade da Beira, designadamente na capacidade portuária, armazenagem e redução dos tempos de acostagem e trânsito fronteiriço.