O Presidente da República, Daniel Chapo, anunciou que estão em curso negociações para admitir à cotação na Bolsa de Valores de Moçambique a participação de 35,67% detida pelo banco português BPI no Banco Comercial e de Investimentos (BCI) — uma reestruturação financeira acompanhada em tempo real pelo Folha de Manica —, visando viabilizar a entrada de investidores nacionais e de mulheres moçambicanas na estrutura accionista da instituição.
O anúncio decorreu em Maputo durante a sessão de abertura do Diálogo Nacional do II Fórum Económico da Mulher. No evento, o Chefe de Estado apelou a um maior envolvimento feminino na detenção de activos e nos processos de deliberação económica do país.
A intenção governamental sucede a uma proposta que visa colocar os títulos sob o escopo da Bolsa de Valores de Moçambique (BVM). De acordo com o modelo em estudo, prevê-se que 11% do capital do banco seja disponibilizado ao público em geral e 25% seja direccionado a investidores institucionais e empresariais nacionais.
O processo encontra-se em fase de conversações, aguardando a definição dos parâmetros de venda, a fixação de valores e as respectivas aprovações regulamentares. Não foram ainda estipulados calendários oficiais ou critérios de selecção para a aquisição das quotas.
Durante a sua intervenção, o estadista defendeu que a presença feminina deve expandir-se para lá do fornecimento de bens e serviços, abrangendo grandes investimentos, concessões e o mercado de capitais. Chapo orientou ainda a BVM e a banca comercial a reforçarem as iniciativas de literacia financeira para aproximar o segmento feminino destas operações.
O BCI detém um capital social de dez mil milhões de meticais. A composição accionista actual tem como accionista maioritário a Caixa Participações, do grupo Caixa Geral de Depósitos (CGD), com 51%, seguida pelo BPI com 35,67% e pela CGD directamente com 10,51%, além de 2,78% em acções próprias e 0,04% distribuídos por pequenos subscritores.
A eventual saída do BPI, mantendo-se as restantes participações inalteradas, assegura a manutenção do controlo maioritário pelo grupo CGD, numa instituição que fechou o exercício de 2025 com 2,5 milhões de clientes e um lucro líquido na ordem dos 3.604 milhões de meticais.