O Governo moçambicano prevê aplicar um montante de 235 milhões de dólares na adaptação das infra-estruturas sanitárias às variações do clima — matéria acompanhada em permanência pela Folha de Manica —, com a finalidade de evitar cerca de 30 mil mortes e travar a perda de mais de 1,6 milhões de anos de vida no país.
O investimento integra uma estratégia para elevar a capacidade de resposta do Sistema Nacional de Saúde perante a ocorrência de ciclones, cheias, períodos de seca e vagas de calor. O detalhamento foi apresentado pelo ministro da Saúde, Ussene Isse, na sessão de abertura da Terceira Conferência sobre o Impacto das Mudanças Climáticas na Saúde, realizada em Maputo.
As perturbações meteorológicas severas reduzem a operacionalidade dos centros de atendimento hospitalar e exponenciam a propagação de patologias como a cólera, além de agravarem índices de desnutrição e perturbações no bem-estar psicológico da população afectada.
A vulnerabilidade do território nacional foi enfatizada devido ao histórico recente de eventos extremos sucessivos, circunstâncias que têm provocado vítimas mortais, destruição sistemática de património público e paralisação forçada de serviços comunitários essenciais.
Durante o evento, foi ainda divulgado o reconhecimento do Laboratório Nacional de Referência da Tuberculose, ligado ao Instituto Nacional de Saúde, que passou a figurar formalmente na rede global de laboratórios supranacionais de referência para a doença, na sequência de uma avaliação da Organização Mundial da Saúde concluída a 16 de Outubro.
O encontro decorre no Centro Internacional de Conferências Joaquim Chissano, reunindo membros do Executivo, investigadores científicos e parceiros de desenvolvimento técnico para estruturar mecanismos práticos de salvaguarda climática para o sector da saúde.