Assinalam-se dois anos após o assassinato do advogado Elvino Dias e do cineasta Paulo Guambe na cidade de Maputo, num processo cuja evolução pode ser acompanhada em tempo real no canal oficial da Folha de Manica no WhatsApp, mantendo-se a investigação ainda em fase de instrução preparatória sem desfecho à vista.
Segundo dados apurados junto das autoridades judiciais, o processo-crime n.º 1394-B/24 continua a ser instruído com base em três linhas principais de investigação. O Procurador-Geral da República, Américo Letela, confirmou no Parlamento a realização de várias diligências para identificar e responsabilizar os autores morais e materiais do atentado ocorrido na madrugada de 19 de Outubro de 2024.
A primeira vertente investigativa incide sobre os alegados ataques sofridos por Elvino Dias no distrito de Alto-Molocué, na província da Zambézia, durante o VII Congresso da Renamo. Na ocasião, o advogado submeteu uma providência cautelar junto do tribunal local para assegurar a participação do seu constituinte, Venâncio Mondlane, nos trabalhos daquela reunião partidária.
A segunda linha de investigação conecta o homicídio à actuação do crime organizado. Na altura do seu falecimento, Elvino Dias atuava num processo relativo à falsificação de um atestado de óbito emitido por uma clínica na África do Sul em nome de uma arguida foragida da justiça. As investigações indicam que a vítima começou a colaborar com as autoridades para esclarecer a simulação da morte ligada a Nini Satar, indivíduo que veio a falecer a 28 de Março de 2025 na Cadeia de Máxima Segurança, na Matola.
A terceira hipótese considerada pela Procuradoria-Geral da República relaciona o atentado com o clima de tensão política decorrente da divulgação dos resultados eleitorais parciais. Até ao momento, foram identificados e ouvidos três suspeitos, encontrando-se dois detidos preventivamente no Estabelecimento Penitenciário Preventivo de Maputo, num caso em que foram disparados 25 tiros contra a viatura das vítimas.