As pessoas com deficiência na província de Nampula continuam a enfrentar sérias barreiras no acesso a empregos condignos, formação profissional e serviços públicos essenciais. A preocupação foi manifestada pelo sociólogo Jaibo Mucufo, que aponta a falta de intervenções práticas das autoridades competentes como o principal obstáculo para a salvaguarda dos direitos desta camada social.
Segundo o especialista, o sistema educacional figura como um dos principais pontos de exclusão. Embora existam centros e escolas especiais nas cidades de Maputo e Beira, a capacidade de atendimento na província de Nampula é manifestamente insuficiente diante da procura real. Além disso, as escolas primárias comuns carecem de adaptações para acolher crianças com necessidades específicas, incluindo alunos com albinismo que necessitam de condições adequadas de iluminação e estrutura física para poderem frequentar as aulas.
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Mucufo defende que a legislação moçambicana de protecção à pessoa com deficiência permanece confinada ao papel, sem gerar os resultados esperados na construção do capital social dos cidadãos. A ausência de capacitação profissional e de mecanismos de integração social limita o potencial de desenvolvimento individual, perpetuando quadros de dependência económica, pobreza extrema e transtornos psicológicos, como a depressão.
Face à gravidade da situação, foi feito um apelo ao governo local e às instituições privadas para a aplicação efectiva do enquadramento legal vigente, garantindo que os direitos humanos e a inclusão social sejam traduzidos em serviços acessíveis e oportunidades reais para a população de Nampula.