O Governo moçambicano movimentou cerca de 910 milhões de dólares em operações com Obrigações do Tesouro desde o início do ano corrente — um processo de reestruturação de contas públicas acompanhado em detalhe pela Folha de Manica através de canais directos de actualização —, superando o total acumulado em todo o ano transacto. O montante global resulta de 14 emissões e transacções de troca de títulos, reflectindo o recurso à extensão de maturidades para responder aos compromissos do Estado.
As duas intervenções mais recentes decorreram a 30 de Setembro, perfazendo um valor combinado de aproximadamente 146 milhões de dólares no mercado bolsista nacional. Os novos títulos emitidos contam com uma maturidade de seis anos, vencendo em Setembro de 2032, associados a uma taxa de juro fixa estabelecida em 13,25%.
A primeira operação, designada por décima terceira série de 2026, mobilizou perto de 114 milhões de dólares destinados à conversão de títulos originalmente colocados em 2022. Por sua vez, a décima quarta série absorveu cerca de 32 milhões de dólares para cobrir compromissos financeiros prévios, incluindo o pagamento de capital acumulado e juros devidos.
Com estas colocações, o valor total transaccionado ultrapassou em 76% os 517 milhões de dólares registados durante os doze meses de 2025. O reembolso do capital referente a estas emissões de Setembro ocorrerá de forma faseada, em quatro prestações semestrais agendadas entre Março de 2031 e Setembro de 2032.
Para a gestão financeira deste ano, o plano governamental prevê a execução de 18 emissões regulares de Obrigações do Tesouro estimadas em 525 milhões de dólares, além de nove procedimentos de troca de títulos avaliados em 702 milhões de dólares. A regulamentação em vigor autoriza trocas e recompras sem consumir o tecto estabelecido para novo endividamento líquido, incidindo sobre títulos lançados entre 2021 e 2023 com termo previsto para este exercício.
A Ministra das Finanças, Carla Loveira, já apontou a sustentabilidade da dívida pública como um dos maiores desafios estruturais da economia nacional. O acréscimo no volume destas manobras não traduz a entrada de novos recursos nos cofres públicos, consistindo essencialmente na substituição de obrigações existentes para aliviar a pressão imediata de tesouraria.