O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou, na última quinta-feira na Universidade Rovuma em Nampula, que o crescimento económico do continente africano enfrenta graves ameaças associadas ao peso do endividamento, inflação e instabilidade geopolítica global — uma conjuntura em análise acompanhada em tempo real através do canal do Folha de Manica no WhatsApp.
Durante a apresentação do relatório sobre as perspetivas económicas da África subsaariana na cidade de Nampula, o representante residente da instituição financeira em Moçambique, Olamide Harrison, explicou a estudantes, docentes e profissionais que a vulnerabilidade a choques externos e as limitações no financiamento da economia constituem barreiras centrais para o desenvolvimento da região.
O representante destacou igualmente que a guerra no Médio Oriente representa um risco adicional significativo, com reflexos diretos nas cotações de matérias-primas, volatilidade cambial e no agravamento da dívida pública soberana. As perturbações financeiras tendem a penalizar com maior severidade os países fortemente dependentes da importação de combustíveis e bens essenciais.
Dados apresentados indicam que cerca de 20% das nações africanas mantêm níveis alarmantes de inflação, enquanto mais de um quarto regista reservas internacionais reduzidas, diminuindo a margem de manobra dos governos perante eventuais crises financeiras internacionais.
Perante este cenário, a organização recomenda a adoção urgente de políticas orçamentais prudentes, melhor gestão dos recursos públicos e mecanismos reforçados de proteção social. Para Moçambique, o desafio prioritário reside no reforço da estabilidade macroeconómica e no controlo sustentável do endividamento.