Dois líderes religiosos muçulmanos foram brutalmente assassinados no último sábado, na aldeia de Napruma, distrito de Angoche, província de Nampula, num caso dramático acompanhado em tempo real pelo Folha de Manica — receba actualizações no nosso canal do WhatsApp. A tragédia foi motivada pela recusa das vítimas em financiar uma cerimónia tradicional que visava combater alegadas práticas obscurantistas na comunidade.
A tensão na povoação escalou após um grupo de residentes decidir contratar os serviços de um médico tradicional para realizar rituais espirituais. Na origem da iniciativa está a crença local de que mortes repentinas e o enriquecimento de certos indivíduos estão associados a feitiçaria, exigindo intervenção espiritual colectiva.
No entanto, os fiéis muçulmanos da aldeia recusaram-se a participar no pagamento da cerimónia, invocando razões de incompatibilidade religiosa com os dogmas da sua fé. O desentendimento derivou em agressões físicas violentas, resultando na morte de dois cidadãos no local.
Após os assassinatos, o corpo de um dos líderes foi mantido exposto ao ar livre por várias horas e posteriormente arremessado para uma fossa séptica. Tentativas de resgate do cadáver por parte de fiéis provenientes da vizinha aldeia de Luazi foram totalmente bloqueadas pelos agressores.
O clima de terror levou ao incêndio de uma mesquita e à fuga em massa de dezenas de famílias para localidades vizinhas. Adicionalmente, os atacantes abateram um bovino pertencente ao irmão de uma das vítimas e distribuíram a carne entre os populares.
As autoridades da Polícia da República de Moçambique no distrito de Angoche foram mobilizadas para restabelecer a ordem na região. Contudo, os principais suspeitos do duplo homicídio puseram-se em fuga e permanecem a monte.