A mineradora Twigg Exploration & Mining Limitada criticou publicamente a falta de manutenção nas vias rodoviárias destinadas ao escoamento de grafite extraída no distrito de Balama, província de Cabo Delgado. A posição foi manifestada durante o painel sobre necessidades logísticas da Conferência sobre Valor Acrescentado aos Recursos Minerais e Energéticos Disponíveis (CAVAME-d), realizada em Nacala-Porto, onde a empresa sustentou que a deterioração das estradas compromete os termos acordados com o Executivo para a viabilização do seu investimento em Moçambique.
Além dos graves problemas de acesso rodoviário, a operadora enfrenta desafios adicionais decorrentes da instabilidade causada pela violência armada na região de Cabo Delgado e do fornecimento ineficiente de energia eléctrica em Balama. A gestora de Administração de Importações da empresa, Laura Mateus, lembrou que a decisão de investir no país baseou-se num contrato com obrigações mútuas, no qual o Governo assumiu a responsabilidade de garantir vias transitáveis para a exportação do minério. Siga-nos no WHATSAPP.
Desde a fase inicial das operações, contudo, a concessionária relata a ausência de intervenções preventivas, o que resultou na degradação contínua da rede viária. Perante este cenário, a representante fez um apelo directo ao Ministério das Obras Públicas e entidades competentes para assegurar reparações urgentes, sublinhando que a melhoria das infra-estruturas rodoviárias deve beneficiar o público em geral e todos os agentes económicos que operam na zona.
Outro ponto de preocupação manifestado pela empresa prende-se com a recente criação de novos encargos sobre a importação, tais como as taxas impostas pelo Conselho Municipal de Nacala. Laura Mateus questionou o destino destas receitas, defendendo que os valores cobrados aos operadores económicos por cada contentor devem traduzir-se em benefícios visíveis na infra-estrutura local. Apesar dos obstáculos logísticos, a gestora reiterou que o país tem um papel estratégico a desempenhar na transição energética global, desde que invista na formação de quadros qualificados e garanta condições operacionais adequadas às empresas multinacionais.