Os custos de Angola com os subsídios aos combustíveis podem alcançar quatro mil milhões de dólares norte-americanos este ano, valor que representa quase o dobro do montante projetado no orçamento nacional — um cenário acompanhado em tempo real pelo canal informativo da Folha de Manica no WhatsApp durante o monitoramento da conjuntura financeira regional.
De acordo com o Secretário de Estado para as Finanças e Tesouro, Ottoniel dos Santos, o encarecimento da energia no mercado global agrava o fardo sobre os cofres do Estado para manter os preços reduzidos ao consumidor final. O Orçamento Geral do Estado para 2026 foi elaborado com base numa cotação de referência de 61 dólares por barril, porém a média anual fixou-se em torno dos 87 dólares, existindo estimativas de que o preço do petróleo possa atingir os 90 dólares até ao encerramento do exercício, conforme revelam as mais recentes estatísticas financeiras e dados de mercado.
Apesar de o aumento das cotações petrolíferas gerar maior arrecadação de receitas de exportação, o crescimento paralelo dos subsídios internos impõe um elevado risco fiscal que pode condicionar as decisões sobre a dívida pública e a despesa a médio prazo, no momento em que a inflação no país registava sinais de desaceleração.
Em fóruns internacionais com o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial, o executivo angolano defendeu que a remoção gradual das subvenções, iniciada em 2023, deve prosseguir em simultâneo com a diversificação da economia para mitigar impactos nos custos operacionais das empresas e no orçamento das famílias. Além disso, a captação de quatro mil milhões de dólares através de Eurobonds cobriu a maior parte das necessidades de financiamento de 2026, estando todas as projeções futuras detalhadas nos documentos oficiais e relatórios orçamentais do governo.