Crianças de comunidades nativas nos Estados Unidos da América (EUA) estão a utilizar pequenos robôs programáveis para aprender e salvaguardar as suas línguas indígenas maternas. A iniciativa, idealizada pela jovem activista Danielle Boyer, visa apoiar a revitalização de idiomas que enfrentam um risco severo de desaparecimento.
Boyer, que pertence à Tribo Chippewa de Sault Ste. Marie, idealizou o projecto após testemunhar o declínio do idioma Anishinaabemowin, falado pela sua avó. Esta língua, que engloba as variantes Potawatomi, Odawa e Ojibwe, conta actualmente com menos de dez mil falantes nos EUA e cerca de 25 mil no Canadá, de acordo com os dados apresentados pela organização do projecto.
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Aos 18 anos, a jovem fundou uma organização sem fins lucrativos para desenvolver os “SkoBots”, robôs didácticos com formatos de animais da floresta. Os dispositivos são programados pelas próprias crianças para responder a perguntas nas suas línguas tradicionais, associando a tecnologia moderna à herança cultural local.
Ao contrário de outras iniciativas tecnológicas actuais, os SkoBots não utilizam Inteligência Artificial (IA) generativa. O sistema funciona exclusivamente através de gravações de áudio pré-registadas pelas crianças e anciãos da comunidade. Segundo os promotores da iniciativa, a decisão de evitar a IA generativa prende-se com a necessidade de garantir a precisão linguística e proteger os conhecimentos sagrados das comunidades contra a exploração comercial externa.
Este projecto de preservação cultural já envolveu centenas de crianças em várias regiões norte-americanas, demonstrando que a inovação tecnológica pode ser uma aliada fundamental na transmissão de saberes ancestrais entre gerações.