O Presidente de Angola, João Lourenço, apelou esta quinta-feira, 22 de Outubro, à união das nações africanas para exigir uma flexibilização dos fluxos financeiros internacionais, priorizando doações directas e pacotes justos de empréstimos concessionais destinados à adaptação às mudanças climáticas. O pronunciamento ocorreu na capital angolana, Luanda, durante a abertura da quarta edição do Fórum Pan-Africano para a Cultura de Paz e Não-Violência — Bienal de Luanda, evento que contou com a presença do Presidente da República Democrática do Congo, Félix Tshissekedi.
O encontro decorre sob o tema focado no fortalecimento da governação da água no continente como instrumento de prevenção e resolução de conflitos, destacando o papel da juventude e de empresas emergentes na criação de soluções tecnológicas sustentáveis. A consolidação destas infra-estruturas surge como prioridade estratégica para o desenvolvimento socioeconómico sustentável da região. Siga nos no WHATSAPP.
No âmbito do programa de investimento público no sector hídrico, as autoridades angolanas confirmaram a inauguração iminente do sistema de captação de água ‘Quilonga Grande’ em Dezembro próximo, prevendo abastecer cinco milhões de cidadãos nas províncias de Luanda e Icolo e Bengo. Adicionalmente, o projecto ‘Bita’ deverá entrar em funcionamento em meados de 2027, garantindo o fornecimento a mais 2,5 milhões de pessoas e totalizando 7,5 milhões de novos beneficiários no país.
Estas acções pretendem servir de modelo para outros países do continente que enfrentam escassez de recursos hídricos. Para impulsionar a cooperação transfronteiriça, defendeu-se o alinhamento com a União Africana e com os compromissos da Declaração de Kampala, activando comités de gestão de bacias hidrográficas para promover a diplomacia preventiva.
Por seu turno, o estadista congolês reforçou a proposta de criação de uma coligação africana para a segurança hídrica e defendeu a instituição de espaços permanentes de diálogo. A cerimónia contou igualmente com manifestações de apoio da UNESCO, entidade que apoia 17 países do continente na redução de riscos e na gestão responsável do sector.