A carência de certificação de produtos e os obstáculos no acesso ao financiamento estão a barrar o crescimento e a capacidade de exportação das empresas lideradas por mulheres em Moçambique. O alerta foi lançado nesta terça-feira, em Maputo, durante o lançamento oficial da plataforma SheTrades Hub Moçambique, um mecanismo concebido para integrar pequenos e médios negócios femininos nos circuitos comerciais nacionais e internacionais.
A iniciativa pretende alavancar o ecossistema empresarial feminino, permitindo que empreendedoras superem entraves burocráticos para alcançar novas oportunidades de mercado. Para acompanhar todas as atualizações sobre o desenvolvimento económico do país, siga-nos no WHATSAPP.
Durante o evento, o secretário de Estado do Comércio, António Grispos, exemplificou o impacto destas limitações ao citar o caso de uma unidade fabril com capacidade para multiplicar dez vezes a sua produção mensal, transição que falhou unicamente por falta de conformidade técnica. A obtenção do selo de qualidade permitiria expandir o quadro de emprego da referida firma de cinco para 50 colaboradores, além de impulsionar a arrecadação de divisas.
O governante destacou que a assimetria no mercado interno é evidente, uma vez que as mercadorias importadas entram facilmente nas grandes redes comerciais por possuírem certificação, ao passo que a produção local enfrenta rejeição sistemática. Diante deste cenário, defendeu-se o fortalecimento da capacitação técnica das gestoras e o aprimoramento do padrão de fabrico nacional.
Na mesma ocasião, foi lançado um desafio ao Instituto para a Promoção das Pequenas e Médias Empresas para que apresente resultados mensuráveis no próximo ano sobre os progressos alcançados. Por seu turno, a representação diplomática britânica informou que o projeto já apoia mais de uma centena de iniciativas e que três empreendimentos já se encontram totalmente aptos para exportar rumo ao mercado do Reino Unido.