Os governos de Angola e da Namíbia estão a finalizar os preparativos técnicos e administrativos para dar início à construção da Barragem de Baynes, um projecto hidroeléctrico no rio Cunene avaliado em cerca de 1,5 mil milhões de dólares.
A articulação em torno da obra foi analisada na sexta-feira, 16 de Outubro, em Luanda, num encontro entre o ministro angolano da Energia e Águas, João Baptista Borges, e o ministro das Indústrias, Minas e Energia da Namíbia, Modestus Tshitumbe Amutse.
A reunião serviu para definir o calendário de execução e alinhar procedimentos essenciais para acelerar o projecto, considerado fundamental para o futuro da energia eléctrica em ambos os territórios.
O investimento global de 1,512 mil milhões de dólares engloba uma central principal com potência instalada de 860 megawatts (MW) — dividida em partes iguais de 430 MW para cada país — e uma infra-estrutura complementar de regulação de caudais com capacidade de 21 MW.
Esta segunda estrutura destina-se a otimizar a gestão hídrica e a minimizar os impactos ambientais decorrentes do processo produtivo. A obra principal tem um período de execução estimado em cinco anos.
Para garantir a logística de transporte de equipamentos pesados, estão em curso trabalhos de melhoria das acessibilidades a partir do Porto do Namibe. A iniciativa insere-se igualmente no Acordo de Interligação Eléctrica Angola-Namíbia (ANNA), assinado em Abril de 2026, com vista a fortalecer a segurança e estabilidade da rede eléctrica regional.
Assinado originalmente em Novembro de 2024, em Windhoek, o acordo estipulava o arranque das obras para 2026 e a conclusão em 2031. Contudo, a calendarização definitiva permanece dependente do desfecho das etapas financeiras e técnicas, prevendo-se também um forte impulso ao desenvolvimento económico e à criação de emprego local.