Moçambique apresenta a maior proporção de população em situação de pobreza multidimensional grave entre as nações lusófonas analisadas no Índice Global de Pobreza Multidimensional referente a 2026, atingindo uma taxa de 38,8%. O país posiciona-se à frente da Guiné-Bissau, que regista 35,9%, e de Angola, com 29,6%, embora as medições resultem de inquéritos recolhidos em períodos distintos.
O documento, elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento em conjunto com a Iniciativa de Pobreza e Desenvolvimento Humano da Universidade de Oxford, aponta que cerca de 1,2 mil milhões de indivíduos enfrentam carências multidimensionais nos 108 países avaliados. Este registo representa um incremento de 51,5 milhões de pessoas relativamente ao relatório precedente, configurando a primeira subida verificada desde a criação do mecanismo em 2010, em parte impulsionada pelo crescimento demográfico.
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De acordo com os dados apresentados, 83% dos cidadãos afectados residem em zonas rurais e mais de metade do total corresponde a menores de idade. A avaliação baseia-se em dez indicadores que analisam carências simultâneas nos domínios da saúde, educação e condições de vida, englobando factores como nutrição, frequência escolar, acesso a água potável, saneamento básico, electricidade e padrões habitacionais.
No que concerne à pobreza multidimensional global, a Guiné-Bissau lidera o universo lusófono analisado com 64,4%, seguida de perto por Moçambique com 60,7%, Angola com 49,3%, Timor-Leste com 48,3%, São Tomé e Príncipe com 11,7% e o Brasil com 3,8%. Em termos de privação severa isolada, Timor-Leste contabiliza 17,4%, São Tomé e Príncipe 2,1% e o Brasil 0,9%.
Os dados relativos a Moçambique baseiam-se em recolhas realizadas entre 2022 e 2023, enquanto os de Angola derivam do período 2023-2024. O relatório contempla territórios que concentram cerca de 78% da população mundial, reunindo informação estatística com variações cronológicas consoante a disponibilidade dos censos nacionais.