Moçambique atingiu uma taxa de acesso à electricidade de 66,9%, dos quais 57,9 pontos percentuais correspondem à rede nacional e 9 pontos percentuais a soluções fora da rede, segundo dados divulgados pelo Ministério dos Recursos Minerais e Energia. Apesar dos progressos registados, o Executivo reconhece que persistem desafios significativos para alcançar a electrificação universal até 2030.
Os números foram apresentados durante o Fórum Bianual de Energia Fora da Rede, realizado em Maputo, encontro que reuniu mais de 150 representantes do Governo, sector privado, investidores e parceiros de desenvolvimento. Na ocasião, a directora nacional de Energia, Marcelina Mataveia, defendeu que a electrificação rural exige uma abordagem planeada e articulada entre os diversos intervenientes para garantir maior eficácia na expansão.
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Entre as iniciativas em curso destaca-se a Plataforma Integrada de Electrificação de Moçambique, concebida para aprimorar o planeamento dos projectos energéticos no país. O coordenador da Unidade Integrada de Planificação e Coordenação da Electrificação, Inocêncio Gujamo, confirmou que o instrumento deverá ser disponibilizado ainda no decorrer deste ano.
Por sua vez, o Fundo de Energia (FUNAE) deu a conhecer o Programa Nacional de Aceleração da Electrificação através de Mini-redes, que prevê a instalação de 363 mini-redes em todo o território nacional, sob um investimento estimado em 250 milhões de dólares. Actualmente, já se encontra garantido o financiamento para 148 destas infra-estruturas, contemplando as províncias de Nampula, Zambézia, Tete e Niassa.
Representantes do sector de energias renováveis alertaram também para a necessidade de assegurar a sustentabilidade técnica dos equipamentos fora da rede. Com cerca de um milhão de sistemas solares domésticos comercializados no país, muitos dos quais a atingir o termo da vida útil, a gestão de resíduos eléctricos e baterias emerge como uma prioridade no debate sobre a transição energética moçambicana.