O Banco de Moçambique (BM) reuniu-se duas vezes com o sector privado em menos de uma semana. O objectivo dos encontros foi apresentar as reformas em curso na instituição financeira em diversos domínios, com destaque para as decisões do Comité de Política Monetária (CPMO) e as alterações no mercado cambial.
O primeiro encontro, realizado na última sexta-feira, foi liderado pela administradora do Pelouro de Estabilidade Monetária do BM, Maria Esperança Majimeja. A reunião serviu para partilhar a leitura do regulador sobre a evolução da economia nacional e auscultar os principais constrangimentos enfrentados pela classe empresarial.
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Durante as discussões, o destaque foi para o novo regime temporário de reservas obrigatórias, com uma duração prevista de 18 meses. Esta medida visa criar condições para dinamizar o financiamento à economia, permitindo que os bancos comerciais deduzam, nas reservas em moeda nacional, os montantes destinados a novos créditos para empresas focadas na substituição de importações ou no aumento de exportações. A iniciativa conta ainda com o apoio do Fundo de Garantia Mutuária.
O segundo encontro decorreu na quarta-feira, sob a direcção do Governador do Banco de Moçambique, Felisberto Navalha. O dirigente sublinhou que este diálogo é fundamental para que os formuladores de políticas compreendam o impacto da conjuntura económica nas empresas, identifiquem barreiras ao investimento e promovam a estabilidade macroeconómica do país.
Felisberto Navalha abordou também as assimetrias de informação e as incongruências no mercado cambial, anunciando a implementação breve de uma plataforma electrónica para monitoria em tempo real, visando garantir maior transparência. Foi igualmente destacada a entrada em funcionamento de uma central de monitoria do uso de cartões bancários no estrangeiro, desenhada para disciplinar os pagamentos externos.
Paralelamente, o banco central reuniu-se com as instituições de crédito comerciais, num encontro dirigido pela vice-Governadora, Benedita Guimino, para partilhar detalhes sobre estas mesmas plataformas e o novo regime de reservas.
Segundo a imprensa local, estas reuniões marcam uma viragem significativa no relacionamento entre o regulador, a banca comercial e o sector privado, ocorrendo cerca de dez anos após o último contacto desta natureza e meses após a mudança de liderança na instituição.