A expansão acelerada dos sistemas de inteligência artificial no mercado laboral está a suscitar um clima de crescente apreensão entre a camada jovem, que receia a perda massiva de postos de trabalho — um cenário acompanhado em detalhe pelo Folha de Manica no seu canal do WhatsApp. Dados recolhidos recentemente indicam que, pela primeira vez nos últimos anos, mais de metade dos adultos com menos de 30 anos declara sentir maior preocupação do que entusiasmo em relação ao impacto das novas tecnologias.
De acordo com os dados apresentados na pesquisa, cerca de 55% dos inquiridos com idade inferior a 30 anos manifestam abertamente reticências quanto à integração de ferramentas tecnológicas avançadas no quotidiano profissional. No cômputo geral da população adulta, a percentagem de receio atingiu os 52%, registando um aumento expressivo comparativamente aos 37% apurados há cinco anos, enquanto apenas 9% dos cidadãos se demonstram maioritariamente optimistas perante o avanço da automação.
A potencial destruição de oportunidades no mercado de trabalho figura como a principal fonte de inquietação. Cerca de 71% dos participantes na pesquisa antecipam uma redução substancial dos postos de trabalho ao longo das próximas duas décadas. Entre a população mais jovem e os trabalhadores na faixa até aos 64 anos, o pessimismo atinge os 73%, demonstrando um crescimento consistente em relação a anos anteriores.
Para além dos factores estritamente laborais, a investigação salienta que os jovens identificam prejuízos adicionais na vida social e na criatividade individual. Apesar dos receios manifestados relativamente à degradação das relações humanas interpessoais, a maioria dos inquiridos continua, no entanto, a utilizar com frequência os assistentes virtuais e plataformas baseadas em modelos inteligentes de linguagem no seu dia-a-dia.