EMPRESA FRANCESA “TOTALENERGIES” FINANCIA FORÇA “RUANDESA” PARA PROTEÇÃO EM CABO DELGADO SEM ENVOLVER O GOVERNO MOÇAMBICANO
A multinacional francesa TotalEnergies está a financiar directamente a presença da força militar do Ruanda em Cabo Delgado, sem qualquer envolvimento formal do Governo de Moçambique.
A revelação suscita inquietações sobre a soberania nacional e a transparência na gestão da segurança no norte do país, onde persistem ameaças terroristas e disputas geopolíticas em torno da exploração de gás natural.
A petrolífera, que lidera o consórcio do projeto de gás natural liquefeito na Bacia do Rovuma, no distrito de Palma, em Cabo Delgado, estabeleceu um acordo de segurança através da empresa privada Radarscape, que, por sua vez, é controlada em 99% pela subsidiária local da Macefield Ventures e 1% por Jean-Paul Rutagarama, segundo registos corporativos datados de 28 de abril de 2022.
PAGAMENTOS DIRETOS E EXCLUSÃO DE MOÇAMBIQUE
Fontes próximas ao dossiê revelam que a TotalEnergies assumiu o financiamento das tropas ruandesas para garantir a estabilidade nas áreas estratégicas do projecto energético.
No entanto, a ausência de um acordo formal entre a petrolífera, o Governo moçambicano e o Ruanda levanta sérias questões sobre o controle da soberania territorial e a legitimidade desse arranjo militar.
Especialistas em relações internacionais alertam que a decisão da TotalEnergies de canalizar recursos diretamente para uma força militar estrangeira, sem a mediação do Estado moçambicano, pode criar um precedente perigoso e comprometer o papel das Forças de Defesa e Segurança (FDS) na proteção do território nacional.
IMPLICAÇÕES GEOPOLÍTICAS E O SILÊNCIO DAS AUTORIDADES
Até ao momento, o Governo moçambicano não emitiu um posicionamento oficial sobre o financiamento das tropas ruandesas pela multinacional francesa.
Analistas políticos consideram que a situação coloca Moçambique numa posição delicada, uma vez que o país já recebe apoio militar de países da SADC e da União Europeia no combate ao extremismo em Cabo Delgado.
A presença do Ruanda, no entanto, têm sido diferenciada, com intervenção militar direita e autonomia operacional, o que levanta dúvidas sobre os interesses estratégicos por trás desse envolvimento.
O financiamento estrangeiro pode indicar uma privatização informal da segurança, onde multinacionais ditam a gestão militar de territórios economicamente relevantes.
A TOTALENERGIES E OS INTERESSES NO GÁS MOÇAMBICANO
A TotalEnergies suspendeu suas operações em Cabo Delgado em 2021, após o ataque dos insurgentes à vila de Palma, mas mantém esforços para retomar o projeto bilionário de gás natural liquefeito (GNL).
O financiamento da segurança privada e a reconfiguração das estratégias militares na região podem ser indícios de que a petrolífera se prepara para um retorno iminente às Actividades.
A gestão desse complexo cenário levanta questões fundamentais: Quem controla a segurança em Cabo Delgado? Qual é o real papel do Estado moçambicano nas decisões estratégicas da TotalEnergies?
A soberania nacional está a ser enfraquecida pelo financiamento direto de forças estrangeiras?