As tropas da Eritreia foram mobilizadas nos últimos dias nos arredores de uma cidade na região de Tigray, no norte da Etiópia, segundo informaram fontes locais e residentes, após duas semanas de um intenso conflito interno que ameaça alastrar-se para uma guerra regional.
Os confrontos eclodiram a 23 de Setembro entre a Frente de Libertação do Povo Tigray (TPLF) e as forças federais etíopes, reacendendo os receios de um retorno à devastadora guerra civil que assolou a região entre 2020 e 2022. Recentemente, as tensões entre os dois países vizinhos agravaram-se com o corte total das relações diplomáticas.
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O exército etíope, apoiado por milícias locais, conseguiu repelir os rebeldes tigrínios e assumiu o controlo da capital regional, Mekelle, após a retirada da TPLF. Contudo, relatos obtidos pela imprensa internacional indicam que as forças eritreias entraram uniformizadas e com armamento pesado em Adigrat, localizada a cerca de 115 quilómetros a norte de Mekelle, avançando em direcção ao sul.
Gebreigziabher Beyene, comandante da Força de Paz de Tigray (milícia pró-governo), confirmou a presença das tropas eritreias e afirmou que estas forças estão a ser alvo de ataques de drones. Segundo o comandante, a mobilização visa garantir que os combates ocorram dentro do território de Tigray, evitando que a instabilidade afecte directamente a Eritreia.
A instabilidade também se faz sentir a oeste de Mekelle. Em Adwa, ataques de drones contra hotéis durante o fim de semana resultaram na morte de vários civis e deixaram outros quatro feridos, gerando pânico entre a população local.
Historicamente, a Eritreia tornou-se independente da Etiópia em 1993, tendo os dois países travado uma guerra fronteiriça entre 1998 e 2000. Apesar de uma aproximação em 2018 e de uma aliança temporária contra a TPLF, o conflito na Etiópia deteriorou novamente os laços bilaterais, alimentado pelo receio eritreu de uma eventual invasão etíope para obter acesso ao Mar Vermelho.


