A recolha e venda de resíduos sólidos está a servir de alternativa à criminalidade para antigos reclusos na cidade de Nampula, que procuram reconstruir as suas vidas e garantir o sustento familiar. Siga nos no WHATSAPP
Entre os cidadãos que optaram por esta via está Nelson da Silva Vieira, de 35 anos, que após cumprir pena na Penitenciária Regional de Nampula por envolvimento em roubos, decidiu abandonar o crime para se dedicar ao negócio do lixo reciclável. O cidadão sustenta atualmente a esposa e três filhos com os rendimentos gerados pela recolha e compra de materiais reutilizáveis.
A iniciativa representa um esforço individual de reintegração social num contexto marcado por preconceito e desconfiança comunitária. Vieira relatou que a permanência por mais de três anos na prisão sem visitas familiares o levou a refletir sobre o impacto das suas escolhas passadas, optando pelo trabalho autónomo como fonte estável de renda.
Outro relato é o de Manuel Brito, que encontrou na recolha de resíduos sólidos a forma de sair da instabilidade financeira e cobrir despesas básicas, como o arrendamento de uma habitação. Apesar dos desafios diários e do estigma social associado à atividade nas lixeiras, os trabalhadores destacam que o esforço próprio garante a subsistência de forma honesta.
Paralelamente aos desafios de inclusão socioeconómica no meio urbano, outras organizações locais enfrentam limitações financeiras para apoiar pessoas em situação de vulnerabilidade. A delegação provincial da Associação dos Deficientes Moçambicanos (ADEMO) em cidade de Nampula debate-se com a escassez de recursos para manter a produção de meios de compensação motora.
O secretário executivo provincial da ADEMO, Ali Afique, explicou que a instituição chega a passar mais de dois meses sem encomendas para o fabrico de equipamentos essenciais, como cadeiras de rodas e triciclos. A produção de uma cadeira de rodas tem um custo estimado em 19 mil meticais, enquanto um triciclo exige um investimento de 35 mil meticais, valores que impactam a continuidade dos serviços e a sustentabilidade dos trabalhadores com deficiência envolvidos nas oficinas da agremiação.